Branding para negócios enxutos é possível e necessário

Depois de 4 anos em uma multinacional criando valor para love brands do mercado, eu percebi que vivi o meu sonho de jovem profissional publicitária. Conquista que compreendi há pouco. Era o que eu precisava para me sentir confiante em diversos aspectos, mas era esse o meu único sonho?

Assim como a Fer Koba compartilhou comigo, minha amiga que será apresentada logo em próximos parágrafos, eu também me identifiquei com a seguinte constatação: estar no mundo corporativo à frente de grandes marcas é um desafio e tanto, com produtos e dinheiro de verdade, mas que não são seus. De certo modo, é uma experiência de uma grande escola, onde você testa tudo o que pode de estratégia e operação de marketing. Mas se não der certo, a grana não é sua e pouco provavelmente no próximo ano a empresa deixará de investir novamente em novas estratégias.

Então que passado a euforia de fazer parte de algo conhecido e bacana aos olhos de todos, sempre estava na minha memória a minha outra vontade: ajudar pequenos negócios a crescer com iniciativas de marketing. Pequenas mudanças que ajudassem qualquer empresa em um modelo enxuto prosperar. Mas como essa lógica funciona na real para pequenos negócios? Se der errado o ser humano por trás das decisões continuará investindo em marketing?


Há muita desconfiança e crenças limitantes sobre investimento em Marketing


Passos pequenos nessa decisão, a verdade é que comecei a vislumbrar essa outra versão do que eu queria entregar como meu valor criativo para o mercado, mas me deparei com gente desconfiada.

“Branding é para empresas que fazem grandes investimentos em marketing”.

“Não é para mim ou não é para o meu tipo de negócio”.

Uma crença limitante vinda de um senso comum.



Eu acredito em outras verdades e teorias e digo isso com meus pés no chão. Por isso, essa é uma tentativa de mudar um pouco essa perspectiva e construir uma nova possibilidade onde pensar em Branding seja para quem estiver disposto. Sendo a minha crença que gerir a marca é quase fundamental desde que ela brota. Até porque marcas carregam um balaio de coisas valiosas e o que tem valor a gente cuida.   


O que é Branding?


Em “Branding com propósito: Marcas com alma existem?” Expliquei como eu acredito que faz sentido conduzir a construção de uma marca hoje em dia. Mas para azeitar o que significa esse termo derivado do inglês, vamos ao básico do que você precisa saber quando alguém fala sobre Branding:

Desde a concepção até o desenvolvimento da marca no ponto de venda estamos fazendo Branding. Sem ele, as pessoas não conseguiriam distinguir um produto ou serviço do outro com tanta facilidade e seria complexo se destacar no meio de tanta oferta. É cuidando do Branding do seu negócio que ele pode ter sucesso e se conectar com pessoas que acreditem no valor que ele oferece a vida delas. Para chegar em um formato que guie o seu negócio em todos os contatos com o consumidor é necessário investigação, planejamento, design e uma gestão contínua enquanto sua marca durar.



A partir disso se desdobrará uma identidade única, um propósito (a razão para que ela exista), a promessa de marca, os atributos e o posicionamento perante o mercado. Depois disso, os desdobramentos são infinitos. E só nos desdobramentos que o investimento começa a ser uma discussão.  


Case de Branding para negócios enxutos: PAINT&DRINK


Alunos da primeira edição do Paint & Drink em São Paulo

Foi tentando entender o que se passa na cabeça do empreendedor que começa um pequeno negócio que conversei com Fernanda Kobayashi, a Koba. Ela acabou de sair do marketing de uma multinacional. Após um ano sabático de autoconhecimento e entender que se realizava através da arte, ela tomou coragem para tirar do papel o Paint & Drink.


O Paint & Drink é um projeto que viabiliza encontros semanalmente em galerias de São Paulo, onde o cliente coloca a mão-na-massa com os artistas e vive a experiência da pintura acompanhada de bons vinhos. Ele tem como promessa baixar o nível de stress, estabelecer novas conexões sociais e despertar o artista que há dentro de nós. Os encontros são ministrados por artistas que estão super dispostos a dividir dicas e técnicas de pintura. Toda oficina trabalha um tema que te aproxima da arte: movimentos artísticos, artistas, técnicas de pintura e afins. Os participantes da oficina não precisam ter experiência prévia com desenho ou pintura. E enquanto escrevo esse texto, o Paint & Drink aconteceu em um total de 01 edição e é por isso que ele chega como exemplo de que Branding para Negócios Enxutos é possível e necessário.


Encontrei em Koba a pessoa ideal para mostrar a real do início de um business com foco em arte e como foi seu processo ao vivo e a cores com o Branding do seu projeto.


Decidi empreender e agora?


Descobri que Koba navegou entre o ”Ufa, finalmente vou gerenciar todos os aspectos da minha marca” ao medo diário das pequenas e grandes decisões. Mas ela é uma marinheira motivada à realização, o que significa que para ela todo o processo de chegar até um objetivo final é gratificante. E o empreendedorismo lhe deu essa oportunidade. Descobriu que seus companheiros empreendedores devem assumir riscos, porém de forma calculada. Em relação a sua marca, ela me disse o seguinte:

“Eu poderia seguir para um caminho de comunicação me apoiando em um discurso, mas se ele não desse certo eu já tinha outros caminhos em mente, fui do meu favorito para o meu menos favorito e o que importava era o que iria funcionar. O mesmo foi para o risco operacional: eu já sabia que não podia ter custo fixo alto, uma locação de espaço? Nem pensar! Preciso de parcerias com lugares para hospedar o meu serviço. Nesse caso, eu mapeei lugares A B e C. Resumindo, o risco calculado me ajudou a levar tudo de forma mais leve e confiante”.


Planejar o Branding do seu negócio também te ajuda a entender o que faz você acordar todos os dias para trabalhar por ele, mesmo sem grandes recursos. Para Koba foi um processo de autoconhecimento: encarar e mostrar para o mundo quem ela realmente é. Expor suas qualidades e fraquezas ao mesmo tempo e ter que lidar com o que as pessoas vão achar disso.

No final, pensar em Branding acaba sendo uma preparação fundamental para que seu negócio não boie em diferentes direções.


Quem vem primeiro, o produto ou o Branding ou os dois?


Já para quem não tem essa dificuldade de começar a gestão da marca, fica um alerta. Não adianta ter o bote salva vidas, se você ainda está em terra firme sem mar para navegar. Antes de pensar sobre todo o ecossistema da marca, é necessário saber o que você tem em mãos e entende-lo em todos os seus possíveis aspectos.


Estação de trabalho da 1ª edição

Para Koba, o produto vem primeiro, mas nem sempre foi assim.

“Hoje, por experiência própria, eu respondo produto sem sombra de dúvidas. Mas já cheguei a acreditar que quem nasce primeiro é o conceito e depois o produto. O meu negócio é um serviço, quero entregar uma experiência ao cliente. Sendo assim, eu pensei em todos os detalhes, todo o conceito por trás do negócio, criei manifesto da marca e tudo. No entanto, quando fui passar o briefing de campanha para a agência, eles não conseguiram entender 100% o que eu estava dizendo, por mais didática e detalhada que eu fosse. O motivo: elas não conheciam o produto, só eu conhecia. Foi aí que paramos tudo e inverti a lógica, comecei a montar o produto primeiro para depois incrementar com o conceito e o Branding propriamente dito. O risco, na minha opinião, do conceito nascer primeiro que o produto é do produto em si não conseguir sustentar tudo o que o conceito sonhou ou idealizou. Em uma analogia, acho que o produto é o elemento em si, o Branding é a roupa que o veste. Sendo assim, produto (ser) deve nascer primeiro”.

A marca para nascer redonda, precisa mesmo investir uma pequena fortuna em estratégias de comunicação?


Não. Se você sabe o que sua marca representa, onde ela está e para onde ela quer ir já é o suficiente para que suas decisões, independente de orçamento, faça você traçar uma trajetória consistente, honesta e que te orgulhe. Koba decidiu começar pequeno e entender como a Paint & Drink se desempenha. Eu acho que a maré é boa e logo logo a verba de marketing vai aumentar.


Um produto que tenha uma proposta de valor única e com o básico de uma gestão de marca desenhada é capaz de dar seus passos na hora de conquistar o mercado. Não é fácil, mas é possível. E será um mar bem menos revolto do que seria sem uma estratégia de marca para conduzir.


E vamos lá, se as grandes empresas sempre investem na gestão de marca, algo isso quer dizer. Faz todo o sentido se inspirar e mesmo que decida fazer micro e enxuto, é melhor do que não pensar nisso at all.


Comunicação Visual no Instagram @paint_drink

Mesmo com pouquíssimo tempo no mercado, praticamente ainda engatinhando, o Paint & Drink já é palpável. É possível descrever exatamente qual público ele pretende atingir e qual sua linguagem para se destacar entre outras opções de lazer na capital paulista. Sim, essa marca irá passar por diversas modificações e adaptações em um futuro (talvez) próximo, mas o fato dela ainda ser pequena não foi uma barreira para que o seu propósito fosse claro e já houvesse um planejamento de marca e comunicação por trás. Em alguns dias já instigou curiosidade através das redes sociais organicamente. É possível começar direito, sabendo o que você quer dizer com seu produto/serviço. Ou até começar a fazer depois de anos no mercado sem pensar em Branding. Mas isso é texto para outro assunto.


E por último a nossa reflexão de sempre: como a arte pode ajudar nos negócios?


Talvez no caso do case de hoje a pergunta ideal seria como os negócios podem ajudar a arte. Já que tantas vezes nos deparamos com artistas receosos de pensar em vendas e marketing e deixando sua arte como algo para poucos e não para todos que poderia ter interesse em se conectar com ela. Koba está fazendo esse movimento e é com orgulho que eu trouxe seu case aqui e de alguma forma celebrar o delicado encontro entre arte & business.

Quando lhe perguntei da importância ela mandou sua opinião sobre o assunto e em anexo o texto da Zelia Duncan que viralizou no início desse ano. Para ela…

“Arte encanta, nos faz sonhar, rir, chorar, imaginar, arte cria desejo, desejo te faz vender mais e vender mais é bom para os seus negócios. A arte é necessária para o mundo e para as relações humanas, sem arte, não somos nada”.

Acompanhe as próximas edições no @paint_drink

Se você gostaria de pensar com (c)alma sobre sua marca, estruturar a base para seguir com confiança em como você quer se conectar com seu público, vamos conversar e tornar isso possível, pois necessário já é.


Fonte: Duda Barreto

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